terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Dia 3 - Marcando território

De voo e de aeroporto, foram 17 horas entre São Paulo e Amsterdã, sendo que 14 delas passamos bem acordados. Chegamos no hotel depois do meio dia, mas como o quarto ainda não estava pronto, saímos para passear sobre alguns centímetros escorregadios de neve. O Estheréa (nosso hotel) fica no canal mais interno da cidade, o Singel, numa área bem tranquila e longe dos alvoroços noturnos, apesar da localização bastante central.


Nesse passeio inaugural, ainda meio zonzos de sono e de fome, rumamos para a praça Dam a procura de algum lugar para almoçar no meio do caminho. Descobri quatro livrarias e um sebo bem pertos do hotel, e fiz minha primeira aquisição: Pour Un Tombeau D‘Anatole, de Mallarmé, na boa Athenaeum, que vende livros em inglês, espanhol, grego e francês. Ao contrário de grandes lojas de roupa, como C&A, H&M e afins, por exemplo, que mantêm fachadas antigas mas fazem a rapa do lado de dentro para criar grandes espaços horizontais, a Athenaeum obedece ao padrão de espaços intrincados de Amsterdã: sobe e desce de escadas, pequenos quartos abrigando seções específicas, um labirinto guiado por ordem alfabética de autor. Ainda fiquei de olho numas antologias da Gallimard...


Depois caminhamos pelas Nieuwedijk e Kalverstraat, ruas somente para pedestres cheias de lojas de roupas e de eletrônicos e voltamos para o hotel para um banho quente e um cochilo. Tínhamos reserva às 21h num restaurante chamado De Compagnon, e ainda teríamos que descobrir sua localização. Por volta das 19h30, voltamos às ruas, com as luzes de fim de ano acesas e um vento gelado que acendia o vermelho também em nossos narizes. O restaurante, conforme descobrimos, fica em Guldehandsteeg, beco perto da estação de trem, uma caminhada de meia hora aproximadamente, passando por outra rua característica do centro da cidade, a Warmoesstraat, cheia de bares, pubs, cinema gay e lanchonetes.


Chegamos às oito e pouco no De Compagnon, e pegamos nossa mesa mais cedo. De início ofereceram um amuse-bouche de cortesia, pequenos camarões holandeses com molho caseiro de maionese. Depois, pedimos o quinteto de fígado de ganso como entrada (para dividir) e, como prato principal, a galinha d‘angola assada recheada com creme de trufas, vagens e purê de batata. Para acompanhar, pedimos o “arranjo de vinhos”, em que a casa oferece apenas uma taça de vinho para combinar com cada prato, em vez de exigir a compra da garrafa.

O quinteto de fígado consistia no seguinte: fígado levemente refogado com molho de vinagre balsâmico envelhecido 25 anos; mousse de fígado com um crocante de maçã e molho de vinagre de maçã; outro pedaço refogado, coberto com trufas brancas; um assado com frutas secas; e finalmente foie gras cru, em lascas fininhas que derretiam na boca.

Para encerrar a noite, dois cálices de Porto, envelhecido por 10 anos. Agora vamos ajustar o fuso horário com uma boa noite de sono.

Ps.: Não passamos mais de cinco minutos sem pensar e falar nos molequinhos...


Fotos: 1- Singel, canal onde fica o Hotel; 2- Naná checando a vista do quarto; 3- Entrada do restaurante De Compagnon.

2 comentários:

  1. as fotos estão lindas! fiquei imaginando sua mãe lendo o cárdapio e imaginando uma de suas queridinhas assada, à mesa! hahaha...

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