São Paulo estabelece seus próprios parâmetros. Um japonês de óculos, jaleco branco e crachá no bolso esquerdo do peito, atravessando a rua de manhã cedo, pelo engarrafamento, é o símbolo máximo da medicina. Todos os médicos querem se parecer com ele, todos os enfermos entregarão suas vidas a ele, um pedestre anônimo apenas, de repente a estátua divina que resume toda a história da eficiência e seriedade japonesas, da excelência dos egressos da USP, da tecnologia de ponta de uma das cidades mais ricas do mundo.
A civilização deve ser isso mesmo, o desaparecimento das pessoas, dos indivíduos diante das representações de tipos de pessoas – o médico japonês, o roqueiro no ponto de ônibus, de óculos espelhado, cabelo comprido molhado e um leve desdém na face, o nordestino subindo a rua com sua mochila surrada, os almofadinhas da paulista, comendo sanduíche na escadaria do banco, ou saladinha através do vidro do restaurante do momento.
Pessoas somem para que as instituições possam nascer. Vivemos para mantê-las: as casas públicas, as televisões, os clubes, os hospitais, os sindicatos, os cemitérios, as populações, as empresas, as escolas, os palcos, as telas, os auditórios... só dentro delas, temos algum significado. Os mortos não vão para o cemitério. A morte é um sonho que mantemos pela ilusão de unicidade de nossa consciência. Um sonho que conforta e aterroriza.
É quase meio dia. Tiramos um cochilo, pedimos ao cara da recepção para imprimir nossos cartões de embarque e agora vamos nos arrumar para seguir para Guarulhos. Voo AF 455, às 18h15, rumo a Paris, depois conexão para Amsterdã, voo AF 8224, às 9h35. Chegamos lá às 11h (8h em Juiz de Fora).

jah estou acompanhando as novas aventuras de ieiel e nana no velho mundo! felicidades e voltem logo... marcelo
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